terça-feira, 5 de março de 2013

O AMOR TUDO VENCE - Hugo Lapa



O AMOR TUDO VENCE narra uma história comovente de um casal em crise conjugal e que a mulher salva seu casamento usando de um método infalível: “o amor”. Coube a mulher com sua sensibilidade muito acurada, recorrer à ajuda externa para solução de um problema que à primeira vista parecia sem solução.
Fica comprovado nesta história que às vezes nem tudo está perdido, o importante é lutarmos pelos nossos propósitos e ter a convicção que sempre o amor tudo vence.



Carlos Correa



O AMOR TUDO VENCE

Uma mulher, já de meia idade, estava muito desgastada em seu casamento. Conforme os anos foram passando, seu marido se tornara extremamente agressivo.

Chegava em casa do trabalho sempre de mau humor, irritado, e algumas vezes embriagado. Frequentemente berrava, e exigia que sua esposa fizesse tudo para ele, mas ele quase nada fazia em benefício dela. A vida sexual de ambos era praticamente inexistente. O casamento já estava por um fio e a mulher a beira de um colapso nervoso.
Foi conversar com um monge, que diziam muito sábio, sobre sua situação. Ela explicou tudo e o monge disse:
- Você tem duas opções. Ou separa-se dele ou pode fazer uma coisa que vou orienta-la a fazer. Mas permanecer neste casamento apenas por comodismo só vai causar mais mal ainda a ambos.
A mulher refletiu por uma instante e disse:
- Vou tentar uma última solução. Por favor, me explique o que posso fazer.
- Pois bem, disse o monge. Todas as pessoas possuem um lado egoísta, interesseiro, materialista, e um lado humano, fraterno, elevado e divino. Suas brigas com ele demonstram que você o está tratando como uma pessoa e exigindo dele reações que só tocam seu lado inferior. Passe, a partir de agora, trata-lo como um ser espiritual, como uma alma vivente num corpo. Por mais que ele a trate mal, responda com amor, com carinho, e faça as coisas que ele gosta. Inicialmente ele pode ficar bem irritado com sua tranquilidade, mas insista e trate-o como seu coração desejar e não de acordo com seus interesses terrenos.
A mulher sentiu-se tocada por estas palavras, e voltou a sua residência. No mesmo dia a noite, preparou um jantar do jeito que seu marido gostava, arrumou tudo, e aguardou ele chegar. Ao chegar do trabalho, ele estava um pouco embriagado, e começou reclamando do serviço. A mulher, muito afetuosa, pediu que ele se sentasse a mesa para comerem juntos.
O marido sentiu que algo estava diferente. Por algum motivo se irritou, e começou a reclamar da esposa. Sua irritação chegou a um nível tal, que ele arremessou copos e pratos na parede. A mulher, impassível e tranquila, ficou em silêncio, e apenas recolheu os estilhaços de vidro do chão. Ele continuou aos berros com ela, mas a mulher nada disse, ficou apenas ouvindo ele, com atenção, e disse:
- Meu amor, seja o que for que eu tenha feito contra você, agora prometo melhorar. Eu te amo e quero seu bem.
O homem ficou bastante surpreso, e foi desarmado pela reação amorosa de sua esposa. Ficou um pouco mais calmo, mas mesmo assim, ainda sob o efeito da bebida, continuou resmungando.
Nos dias e semanas seguintes ocorreu situações semelhantes. O homem chegava estressado, irritado, e descontava toda a sua raiva na esposa. A mulher sentia-se muito mal, irritada, mas sempre que sentia raiva, procurava acalmar-se e não revidar no mesmo nível, mas ao contrário, seguia as orientações do monge, que sugeriu que o tratasse não como personalidade humana, mas como um espírito eterno, uma luz em desenvolvimento na matéria. A mulher então continuou tratando-o amorosamente, ouvindo-o, dando afeto e transmitindo paz a ele, mesmo em meio a gritos, acusações, reclamações e agressões verbais.
Mais uma semana se passou e a mulher preparou um jantar impecável para o marido. E mais uma vez o marido chegou estressado do trabalho, mas dessa vez um pouco mais tranquilo. Sentou-se a mesa aborrecido com algo. Ele a tratava com irritação e ela sempre devolvia a agressão com palavras amorosas e tranquilas. Passou-se um tempo, e ele estava agora em silêncio. Permaneceu em silêncio por quase meia hora durante o jantar. De repente, olhou para baixo, e começou a chorar copiosamente, soluçava de tanto chorar... estava em prantos profundos. A mulher estava espantada com tudo aquilo, pois quase nunca o havia visto chorar em 30 anos de casamento. Então ele disse:
- Meu Deus! O que eu fiz esse tempo todo com você? Você é uma mulher maravilhosa e eu não percebi isso em todo esse tempo. Estive te tratando muito mal, gritando, te criticando, cheguei até a te agredir fisicamente, mas você não merece nada disso. Você é uma pessoa muito boa e estou muito arrependido de ter feito isso. Peço que me perdoe.
Nesse momento, a mulher também desatou a chorar. Ambos se abraçaram forte e ficaram cerca de dez minutos chorando abraçados. A partir deste dia, seu marido tonou-se uma pessoa bem diferente. Ainda sentia o estresse do trabalho e ainda conservava um pouco de irritação, mas a qualidade da vida do casal melhorou muitíssimo e o matrimônio foi salvo.
A mulher foi conversar com o monge e contou como tudo ocorreu. Ela então perguntou ao monge:
- Mas por que ele mudou assim? Como eu consegui transforma-lo?
O monge respondeu:
- É bem simples. Você se desligou do nível de sua personalidade humana, e passou a trata-lo como um espírito eterno, uma alma universal que passa por experiências humanas. Você acessou esse nível dele, com amor e paz, e ajudou-o a despertá-lo. No momento em que você o tratava como ser espiritual, e não como homem terreno, você permitiu que sua própria alma se expressasse, e não seu ego limitado. Sempre que regamos uma plantinha com água e sol, ela desabrocha. A alma humana precisa ser regada com amor e luz, e igualmente ela desabrocha.





(Este conto é baseado em um caso real)

Hugo Lapa